| Betto W. - Betto W. e um olhar erótico (28/06/09) Betto W. é formado em Filosofia. É também criador do blog www.escritordecontos.wordpress.com Email : escritordecontos@hotmail.com |
Beijar moooito!!! Sempre ouvi dizerem que puta faz tudo, menos beijar. Então, acho que sou puta. Explico. Acho um absurdo quem sai para a balada para beijar e con-tabiliza quantos beijou na noite. Beijo pra mim é sagrado, só beijo se estiver muito a fim. Sexo... Bem, sexo é uma necessidade fisiológica como cagar. E beijo não é necessidade fisiológica. Calma. Continue a leitura e talvez você, caro leitor, até me dê razão ao final desta coluna. Ontem, uma noite de sexta-feira, balada, pista e... Noto alguém interessante e também noto que ele me olha. Um alguém novo, encantado com a noite, um pouco carregado demais no blush existencial. Ele deve ter deixado o casaco na chapelaria da casa e estava apenas de baby look e “cachecol”. Viadíssimo. Dançava muito empolgado com uma amiga e de vez em quando me dispensava uns olhares. Eu estava num canto da pista olhando tudo, curtindo do meu jeito e meio que balançando o corpo no ritmo da música e para o azar dele eu estava bebendo água tônica, ou seja, totalmente sóbrio e bem pouco tolerante. Aconteceu o que eu temia. A amiga dele veio falar comigo. Eu deveria ter imprimido uma cópia da coluna da semana passada e levado no bolso para o caso de uma emergência. Ela chegou e me perguntou _meu amigo quer saber se você é gay ou hétero. Gay ou hétero? Tô pagando de hétero. Respondi _pergunta o que ele acha? Claro que ela ficou sem graça e foi levar minha resposta mal educada. Quando ele olhou para mim depois do que ela disse, não sei como ele interpretou o que eu respondi, eu sorri para ele e ele cheio de coragem veio conversar comigo. Ele chegou, quase colou o corpo no meu, perguntou o meu nome e continuou dançando com movimentos exagerados e antes que eu respondesse o meu nome perguntou se eu não gosto de dançar. E eu estava super sem saco para esse tipo de bola fora. Se eu gostasse ou se estivesse a fim de dançar estaria dançando e não esperando um convite, afinal, estávamos numa pista com som técnico e não numa dança de salão. Mas eu estava a fim de conhecer ele melhor e convidei para sairmos da pista e irmos para o lounge para conversar. E ele? Fez uma negativa com a cabeça, indicou o canto junto à parede e veio pra cima numa tentativa de me beijar. PAREI ele com um _calma. Merda. Ele é desses que adoooram beijar todo mundo na balada. Perdi totalmente o interesse de querer conhecê-lo. Acho que não falta quem está se perguntando _ah!, seu idiota, por que não aproveitou para beijar muuuito já que ele é bonitinho e tal? Beija e deixa pra conversar depois _completarão outros. Talvez vocês estejam certos, mas eu com quase quarenta anos já perdi esse pique de sair beijando bocas por aí. Tudo bem, tudo bem. Não sou contra quem gostar de beijar na pista, em bar gay, em Shopping Center, na rua. Beija quem gosta e beija onde quiser. Eu não gosto. Acho que o beijo tem que acontecer na-tu-ral-men-te, conseqüência de uma comunicação de sentimentos, mesmo que sejam sentimentos de atração física. MAS devem ser comunicado com receptividade, com troca. Precisa haver percepção se está rolando química para um beijo ou então se levará um fora. E eu acho justo e merecido um fora para quem é nonsense na questão paquera. E conforme foi combinado, na próxima coluna tratarei de um tema mais divertido _como pegar hétero. Beijos, beijos, sucesso!!! Beto W. |